Sindicalização

Cidadania

Um Sindicato é um espaço de resistência. Estar filiado a um lugar de resistência ainda é uma possibilidade de não nos entregarmos e, sim, de deslocarmos os ideais de uma sociedade mais justa da zona onírica à zona do factível. Não podemos sucumbir às individualidades sociais, aos medos e ao desconhecido de uma sociedade pós-moderna e capitalista. Há um medo bastante disseminado no âmbito do trabalho que segundo Tumolo é: “o incremento sistemático do desemprego, que vem sendo chamado por muitos de desemprego estrutural e, por outros, de desemprego tecnológico”. (TUMOLO: 2002:90).

Tanto o medo quanto o desconhecido, tornam sempre a ação em um processo de inação. Essa sociedade calcada na espetacularização do cotidiano, da geração 1,99, não pode ser maior que nossos sonhos de liberdade. Então, a passos mais que largos “o mito da sociedade pós-industrial realiza o desejo mais profundo da burguesia: capital sem trabalho” (IASE, 2002:39), ou seja, a exploração do trabalho com mais trabalho ainda.

Nesse contexto, que é bem mais profundo, é mais que perceptível uma dança entre o desaparecimento da luta de classe e uma doutrina que tem por princípio diluir de maneira feroz os espaços identitários. As relações hierárquicas cada vez mais tomam a frente firmando processos dentro de uma lógica de exclusão, estabelecendo zonas de conforto que confundem o suprir das necessidades humanas, pois hoje só temos suprido as necessidades animais, “não bastou que o homem tivesse perdido as necessidades humanas, também as necessidades animais desaparecem” (MARX, 1993:209). Assim, mesmo o trabalhador que consegue por exemplo desfrutar de algumas necessidades humanas como o cinema, o teatro e outros, não pode por vez esquecer que a demanda da exploração de sua força de trabalho também ocorreu de igual maneira. E assim a patronal vai constituindo um falso NÓS.

Bom, o panorama da vida do trabalhador apresenta-se então, bastante fragilizado, se não nos solidificarmos em nossos sindicatos para garantirmos nossos direitos estaremos todos fadados ao desaparecimento. Portanto, faz-se necessário e urgente uma articulação da base, compreendendo que o espaço de um sindicato é o seu espaço de resistência, local de uma vida associativa que move a atividade cotidiana.

Percebemos ainda, que há uma resistência para compreender e aceitar o alcance e as conseqüências das várias decisões tomadas no âmbito da entidade sindical. Sendo assim, a base não tem o sentido da responsabilidade dos atos, delegando total responsabilidades aos dirigentes sindicais, que neste momento adquirem uma autoridade e uma importância acima do espírito igualitário e essencialmente democrático.

Todo o contexto do cotidiano, dentro da lógica capitalista, acaba, por vezes, afastando-nos da consciência de classe, nos torna totalmente individualizados, nessa construção vamos armando nossos castelos como em contos de fadas e, logo adiante, afastados da ética coletiva, nos apropriamos de “acordos” vamos permitindo que nossos castelos sejam invadidos, colonizados.

No âmbito da classe de educadores que poderíamos apostar na emersão de uma interferência teórico-educativa no sentido da formação política, no sentido de conhecer mais profundamente a realidade social e mapeá-la, com vistas a elaborar um plano de transformação dessa realidade. Vemos ainda que independentemente da formação dos trabalhadores da Educação, seja na instância de graduados, especialistas, mestres ou doutores, a realidade que encontramos ainda é de uma consciência desarticulada. Faz-se necessário rever nossos conceitos, nossa própria formação e, lembrarmos que se somos educadores, formamos e ensinamos aquilo que somos.

Filiar-se ao sindicato vai além de 5, 10% ou 15% de descontos, assessoria jurídica ou demais vantagens que um sindicato possa vir a oferecer, pois na verdade, o que se busca é a parceria de idéias, discussões para rompermos com a hegemonia e a exploração, porém, se a classe, que é a parte estruturante, mais importante de um sindicato, se afasta, não restará outra parceria se não o próprio capitalismo. E aí ficaremos todos, como associados de um lugar comum, comungando jantares medíocres, onde a discussão principal será discutir e especular sobre o último ganhador do big brother.

Assim, uma maneira de estabelecer um “contra corrente” ainda é o processo de filiação, entendendo este como um fortalecimento da categoria para expressar um grito mais uníssono de mudança de consciência de classe. Para que faça sentido a existência dos sindicatos é imprescindível a participação consciente da classe que ele representa.

Se diminuirmos o sentimento de frustração, que nasce das derrotas e o afastamento dos locais de trabalho que acabam por alimentar a passividade, a descrença e, com elas, o abismo entre as bases e os sindicatos que a representam, teremos uma possibilidade de uma oxigenação nos procedimentos sindicais, “afinal nada mais antigo e novo que o eterno movimento”. Entretanto, isso acontecerá quando a classe se voltar ao espírito coletivo, a grupalidade como um espaço fértil, onde o olhar de um sobre o outro não gera uma condição especulativa, mas gera um espaço de contenção onde menor que nossos sonhos não poderemos ser.

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